Hipersensibilidade dentária além do óbvio

A hipersensibilidade dentária (hiperalgesia ou hiperestesia dentinária) resulta da percepção de um estímulo (seja ele táctil, químico, térmico ou osmótico) que varia entre o sensível até o dolorido agudo, com curta duração.
 
Descartados os casos de traumatismo local imediato (por oclusão ou impacto direto sobre o dente), esse tipo de desconforto hipersensível está associado com a exposição dos túbulos dentinários existentes nas estrututuras dentárias.
 
Nos casos não associados a cárie, quando a exposição dos túbulos dentinários existir (de uma forma capaz de repercutir em dor ou desconforto), a estrutura da dentina (onde estão os túbulos) estará descoberta do esmalte e/ou dos tecidos periodontais protetores. 
 
Os prolongamentos das fibras sensoriais presentes nestes pequenos condutos (túbulos), representam prolongamentos de camadas celulares oriundas das porções pulpares mais superficiais e posicionadas nas câmaras pulpares das estruturas dentárias. (Liu et al.,1998;  Rees et al., 2003; Aguiar et al.,2005)
 
A prevalência estimada na população adulta (a mais afetada pelo sintoma indesejado) varia de 18% a 74% na população mundial. (Aguiar et al. 2005)

Os estímulos mais associados com esse desencadeamento de desconforto/dor são os térmicos, ácidos, abrasivos/tácteis (caso do trauma de escovação, geralmente relacionado com cremes dentais mais abrasivos e/ou com a excessiva força de escovação, especialmente se relacionada com cerdas de dureza inadequada, doces, salgados) se considerarmos os mais frequentes, conforme citaram Lindhe et al. 1999 e Aguiar et al., 2005.
 
Muitas vezes o dolorimento ou desconforto hipersensível é confundido com a dor de cárie, feridas, descamação gengival ou das mucosas próximas aos dentes.
 
Nesse sentido o diagnóstico diferencial é uma atitude essencial para o profissional propor a melhor conduta terapêutica. Essa etapa deve se basear na tríade:

  1. Anamnese/histórico do paciente,
  2. Exame clínico,
  3. Exame radiográfico ou de imagens.

Uma vez constatada a hipersensibilidade dentária, é importante dar inicio a abordagem terapêutica, considerando hábitos rotineiros do paciente.
 
É comum notarmos que um paciente com hipersensibilidade pode desenvolver outras patologias dentais e periodontais. Como exemplo, podemos tratar das dificuldades geradas a prática qualificada e rotineira de higiene bucal. Sabe-se que a sensação de dolorimento no contato com os recursos de higiene bucal e com os veículos a ele associados (caso dos líquidos, dos cremes abrasivos, dos fios e das cerdas), pode levar o paciente a negligenciar a melhor fricção das escovas e do fio dental, nas regiões acometidas pela hipersensibilidade, aumentando os riscos para a integridade dos dentes e dos tecidos daquela região, devido as falhas de higiene potencializadas para aquele(s) local(ais).
 
O tratamento ideal envolverá, antes de qualquer atuação clínica a adequação dos perfis, hábitos e costumes do paciente.
 
Nesse sentido o papel do cirurgião-dentista é fundamental, tanto pela possibilidade de intervir (medidas terapêuticas clínicas), quanto na de informar para a educação do seu paciente ante a necessidade constatada no estudo do seu perfil (através de medidas educativas para os auto-cuidados rotineiros). 
 
Podemos dizer que, na maioria dos casos, tão ou mais importante do que intervir, valerá a correção dos hábitos ou tendências que favoreçam esse sintoma indesejado, conforme apontaram Brunetti, Fernandes e Bueno de Moraes em 2007.
 
Na visão dos autores acima citados, alguns dos principais tópicos para a conscientização dos pacientes sobre as condutas de apoio ao tratamento, incluem:

A ORIENTAÇÃO ALIMENTAR

Pacientes jovens, pessoas com risco de cáries, idosos, habituados ao bruxismo, usuários de medicamentos ou sob tratamentos bucais (caso dos aparelhos de ortodontia), devem preocupar-se em privilegiar uma dieta menos cariogênica e menos cooperativa com a formação de placa bacteriana (com pouco açúcar, rica em fibras e com uma frequência devidamente espaçada entre as refeições, para permitir que a ação de tamponamento da saliva, gere um equilíbrio no PH bucal compatível com a integridade dentária). 

A dieta citada deve ser acompanhada  de uma hidratação bucal constante (seja através do mais adequado consumo de água ou até mesmo incluindo a utilização dos repositores de saliva para casos mais específicos de carência salivar), para oferecer melhor proteção aos dentes e outros tecidos bucais.

O CUIDADO BUCAL

Esse tópico deve se fundamentar na instrução individualizada para a seleção dos recursos de higiene bucal, conforme listamos a seguir:

  • A seleção do modelo de escova comum para pacientes com hipersensibilidade deve considerar cabeça pequena ou de tamanho compatível com os acessos mais distantes na cavidade bucal, como no caso das de formato triangular que permitem alcançar todos os locais da cavidade bucal sem maiores riscos de traumas e desconfortos ao usuário instruído), cabo anatômico com estrias anti-deslizantes ou ranhuras  e retenções que permitam o seu uso com o máximo conforto. Dispor de protetor de cerdas que reorganiza as cerdas após o uso e as protege de contaminações e deteriorações precoces, cerdas polidas e arredondadas variando da macia a extra-macia e dispostas em um perfil de alinhamento mais homogêneo conforme o perfil do paciente. 
  • A seleção dos recursos para a melhor higiene interdentária (fios dentais do tipo soft floss e as escovas interdentais podem complementar e oferecer superioridade aos modelos tradicionais de fio dental especialmente nos casos de retração das gengivas), conferindo maior conforto e limpeza pela possível associação com cremes dentais dessensibilizantes.
  • A seleção das técnicas de escovação mais adequadas ao perfil do paciente, caso da Modificada de Bass, para adolescentes que completaram sua chave de oclusão permanente e dos adultos.
  • Some-se ainda a indispensável orientação na seleção de cremes dentários e bochechos adequados, preferencialmente fundamentados no embasamento e no diagnóstico diferencial do cirurgião-dentista e menos nas estratégias de marketing ou nos modismos dos cremes dentais e enxaguantes sugeridos pelas propagandas de TV e Internet, afim de evitar escolhas e seleções menos eficazes para a necessidade de cada paciente.


CONSIDERAÇÕES SOBRE AS PASTAS DESSENIBILIZANTES

A consideração dos componentes e princípios ativos dos recursos de apoio a higiene bucal: 
  • Agentes dessensibilizantes: As pastas dessensibilizantes devem conter princípios ativos que ajudam no tratamento dos sintomas hipersensíveis. Esse é o caso do Nitrato de Potássio, o mais testado e utilizado em protocolos clínicos e de cuidados diários dos pacientes com hipersensibilidade dentária ao longo dos tempos. Esse agente dessensibilizante atua diretamente nas terminações nervosas localizadas nos túbulos dentinários expostos, reduzindo o potencial de transmissão do estímulo doloroso por essas fibras. A associação desse agente ativo com alguns de efeito higienizador e outros de efeito reparador aos tecidos das gengivas (como as pró-vitaminas), potencializa ainda mais o efeito benéfico para o tratamento e o controle dos sinais e sintomas prejudiciais ao bem estar bucal.
  • Flúor: Se aconselha uma concentração de flúor nos cremes dentais acima de 1400 ppm (partículas por milhão), com a finalidade de auxiliar a estruturação do esmalte e das eventuais camadas expostas de dentina, de forma a contribuir para a obliteração regular dos túbulos dentinários que auxilia o agente dessensibilizante no seu intento de tratamento e de um perfil de controle que leve a menos recidivas do sintoma hipersensível.  
  • Abrasividade dos cremes dentais: A abrasividade dos cremes dentais depende diretamente do tipo de sílicas, que são identificados de forma genérica na composição do produto pelo INCI (International Nomenclature of Cosmetic Ingredients) caso da Silica Hidratada.  Existem muitos tipos diferentes de sílicas, e dependendo da escolha o creme dental pode ser mais ou menos abrasivo, além de outras propriedades reológicas.

A abrasividade de cada creme dental é medido pelo RDA (Radioactive Dentine Abrasion) que mede o grau de abrasão através de substâncias radioativas. Os cremes dentais existentes no mercado apresentam um RDA entre 50 e 250, sendo que quanto maior o RDA mais abrasivo é o creme dental. O desejável é um creme dental com menor valor no RDA, sendo assim menos abrasivo e produzindo menor dano ao esmalte dentário.

No caso de cremes dentais para linhas dessensibilizantes esse RDA não deve ultrapassar o valor 70 para assegurar sua eficácia sem danos ou riscos indesejados ao sintoma de desconforto desses pacientes.

As linhas para cuidados bucais mais preocupadas em cuidar do problema da hipersensibilidade, sem descuidar das outras questões referentes ao bem estar bucal, ocupam-se de uma oferta mais aprimorada e balanceada de todos os agentes que fazem a diferença no resultado clínico e na manutenção do enfrentamento da hipersensibilidade ou de outros sinais e sintomas potencializados, confundidos ou associados a mesma.

Quem trabalha com a rotina clínica da odontologia, sabe que isso faz a diferença!

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Leitura Sugerida:
  • Li u HC, et al. (1998) Prevalence and distr ibution of cervical dentin hypersensitivit y in a population in Taipe i, Taiwan.J Endod; 24: 45- 7.
  • Lindhe et al. (1999) Consensus Report – Chronic Periodontitis – Annal of Periodontology – AAP – Chicago v.4,n1.p.38 (Dec.)
  • Rees JS, et al. (2003) The prev ale nc e of den ti ne hyp ers ensit iv it y in a hospital clinic population in Hong Kong.J Dent; 31: 453-61.
  • Aguiar et al. (2005)  Hipersensibilidade Dentinária – causas e tratamento. Rev Inst Ciênc Saúde jan-mar; 23(1):67-71
  • Maria C Brunetti; Marilene I Fernandes; Rodrigo G B Moraes FUNDAMENTOS DA PERIODONTIA - Teoria e Prática - - 1ª ed. 2007 

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