O que faz as mulheres grávidas descuidarem da saúde bucal?

Uma grande especialista brasileira em reprodução humana assistida, do Centro de Investigação em Reprodução Humana - São Paulo, prestou uma valiosa consideração sobre os motivos que levam uma paciente, do sexo feminino, a abdicar de um tratamento de saúde.

A especialista relembrou que, em uma das últimas edições do Congresso Europeu de Reprodução Assistida, houve a apresentação de um importante trabalho científico em que foram listadas as principais causas que levaram um grupo de pacientes pré-selecionadas a adiarem o sonho do tratamento médico para auxilio a gravidez. Pela ordem:
  1. Lugar - aspectos emocionais – ou seja dificuldades em lidar com o fato em si
  2. Lugar - aspectos físicos e/ou relacionados com limites impostos pela saúde geral
  3. Lugar - aspectos financeirosAo que parece esse é um comportamento que reflete o perfil não apenas das que pretendem gerar um bebê, mas de uma parcela crescente e dominante da nossa população feminina.

Ao que parece o exemplo serve de alerta para todos os segmentos profissionais da promoção de saúde – uma vez que (como no caso citado) lidamos com a saúde, os medos, os custos, os esclarecimentos requisitados e as inseguranças dos que nos procuram para cuidados com a saúde.  

MITOS E VERDADES

Na odontologia, como no exemplo médico que ilustramos, alguns mitos desmentidos pela ciência ainda colaboram para que o aspecto emocional se coloque a frente das necessidades de tratamento, controle e manutenção regular do bom estado bucal.

As crenças de que “ são comuns as perdas de dentes ou o surgimento de problemas bucais mais sérios na gravidez”, ou ainda que “a gravidez é uma fase impeditiva ao tratamento bucal”, apesar de desmentidas pelas evidências científicas, perduram na cabeça de muitas pessoas independente do status sócio–econômico e suportam medos e emoções indesejadas que acabam prejudicando nosso trabalho de promover saúde através dos cuidados bucais as gestantes. 

Um primeiro mito derrubado é o da insegurança para mulheres grávidas que passarem por tratamentos dentários com anestésicos locais, de acordo com um importante estudo publicado no Journal of the American Dental Association(1).

"Nosso estudo não identificou evidência alguma em mostrar que tratamentos dentários com anestésicos locais sejam perigosos durante a gravidez, e ainda assim, muitas mulheres grávidas evitam ir ao dentista", considerou o Dr. Aharon Hagai – um dos autores desse trabalho. Ele ainda citou que: - "... procuramos determinar se haveriam riscos significativos associados com o tratamento dentário, com anestesia e seus efeitos na gravidez, mas não achamos nenhum risco."

Os pesquisadores compararam os efeitos na gravidez - entre um grupo de mulheres expostas a tratamentos dentários com anestesia e um grupo controle que não fez tratamento. O estudo mostra que a exposição a tratamentos dentais com administração de anestésicos locais, contendo vasoconstritores do tipo adrenérgicos, não esteve associado ao maior risco para problemas médicos em recém-nascidos. O estudo também comparou a porcentagem de abortos espontâneos, partos prematuros e a diferença de peso do recém-nascido, para os dois grupos, e não achou razão alguma para associar tratamentos dentários com anestesia local, com aumento do risco para problemas ao recém-nascido e a gestante(1).

Nesta mesma linha, podemos pensar em vasoconstritores de uso local, associados a fios de afastamento gengival nas moldagens dentárias. Seguindo o mesmo raciocínio proposto aos anestésicos nessa investigação, não se encontram evidências de que os mesmos venham a colocar em risco toda a gestação de uma paciente, se essa abordagem for realmente necessária ao tratamento de uma paciente gestante. 

O estudo liderado pelo Dr. Hagai é ainda mais enfático quando aborda o risco que mulheres na gestação adquirem pela crendice que citamos. Ele citou uma série de pesquisas anteriores (que serviram de base ao apoio para a sua pesquisa), mostrando que muitas mulheres grávidas não buscam tratamento dental, mesmo quando um problema bucal existe, por acreditarem que tratar dos dentes e das gengivas é algo incompatível com esse momento da gravidez.

A saúde bucal de uma mãe durante a gravidez pode se tornar crítica, pois grávidas podem ter risco aumentado à cárie, devido ao potencial aumento no consumo de carboidratos. Além disso vale considerar a dificuldade para escovar os dentes, devido a náuseas, o que pode também aumentar os sinais e os sintomas bucais indesejados – caso dos sangramentos gengivais por inflamações (notadamente potencializados, nesse período, pela situação hormonal mas que nada provocariam se não fossem os maus cuidados bucais na fase pré e pós gestação) ou ainda, pelo estabelecimento de descalcificações das estruturas dentais, pelos depósitos mal controlados de biofilme dentário ou placa bacteriana.

Isso sem falar nas considerações apontadas pela Periodontia Médica, sugerindo um incremento no risco a prematuridades e/ou do baixo peso ao nascer, para gestantes em prévio estado periodontal precário (3).

"A gravidez é um período crucial na vida da mulher, e manter a saúde bucal está diretamente ligado à sua saúde geral", diz o Dr. Hagai. Na visão do pesquisador "cirurgiões -dentistas e médicos deveriam encorajar as mulheres grávidas a manter sua saúde bucal e continuar a fazer suas consultas dentais de rotina, além de buscarem realizar tratamentos dos seus problemas bucais, caso os mesmos apareçam nesta fase. Assim, não vale adiar para depois da gestação a solução do problema estabelecido nessa fase ou que já vem de fase prévia a gestação (1). 

A PREVENÇÃO É A MELHOR SOLUÇÃO

Quando o assunto diz respeito ao auto-cuidado e a prevenção dos problemas bucais das gestantes ou mulheres que pretendem entrar nesta etapa da vida, algumas considerações podem fazer a diferença para o bem- estar das mamães e de seus bebês. 

Nestas pacientes é a prevenção de base dos problemas dentários e periodontais, que trará o conforto necessário a melhor gestação, uma vez que é sabido que as respostas imuno-inflamatórias mais intensas (inerentes ao período da gravidez) capazes de induzir um aumento de volume gengival e dos registros de sangramento, dependerão de um mal cuidado prévio com a higiene dos dentes e demais superfícies da boca e da ausência da mantuenção regular da mulher (4,5). 

Nesta situação, podemos encontrar aliados caseiros que fazem a diferença, por auxiliarem as escovas e o fio dental a incrementar o trato com a saúde, de forma mais prazerosa e eficaz (5). 

A linha de produtos Gingikin Plus é indicada para controlar a placa bacteriana e auxiliar na manutenção de tecidos dentários e periodontais na higiene bucal diária, em especial para as gestantes, como forma de manutenção e/ou prevenção dos graves problemas de saúde que surgem pela boca. 

A linha de produtos Cariax é indicada como coadjuvante no caso de o período pré ou transgravidez envolver o tratamento de uma doença periodontal ativa.Bons cuidados bucais diários e um pré-natal odontológico, conforme sugestão do cirurgião-dentista que acompanha cada caso, são mais do que recomendados pela ciência e para a saúde para as mulheres na fase da maternidade!
Leitura recomendada
  • Hagai A., Diav-Citrin O., Shechtman S., Ornoy A. Pregnancy outcome after in utero exposure to local anesthetics as part of dental treatment: A prospective comparative cohort study (2015)  Journal of the American Dental Association,  146  (8) , pp. 572-580. Acesso em: http://jada.ada.org/article/S0002-8177(15)00433-X/fulltext
  • Portal APCD – Acesso em: http://www.apcd.org.br/index.php/noticias/85/08-03-2016/saude-bucal-das-mulheres-e-mais-fragil-que-a-dos-homens
  • Portal APCD – Acesso em: http://www.apcd.org.br/index.php/noticias/91/09-03-2016/saude-bucal-da-gestante-pode-ate-causar-um-parto-prematuro
  • Rose, L. et al. Periodontal Medicine – January 2000, Hardcover -  BC Decker Ed. 325p.. 
  • Lotufo, RFM e Lascala Jr., NT Periodontia e Implantodontia – Desmistificando a ciência, Ed. Artes Médicas, 2003 - 542p
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Qualidade farmacêutica para a higiene bucal.

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