Orientar com o peso de prescrever pode fazer toda essa diferença!


A legislação de inúmeros países, dentre os quais o Brasil, contempla que médicos e cirurgiões-dentistas possam, muito mais do que apontar condutas e substâncias de potencial preventivo e terapêutico sem perfil medicamentoso (tal qual praticam outros segmentos da saúde como a nutrição, a fisioterapia, a enfermagem e outras), prescrever medicações de finalidades distintas e solicitar exames ou condutas mais intervencionistas, se julgarem necessário.

Esse dito "status", torna o peso dos encaminhamentos desses dois segmentos, bastante diferenciados que diz respeito ao alcance das suas orientações para o cuidado de um paciente.

Isso faz da dita "opinião médica ou odontológica", independente de envolver uma reconhecida prescrição para o tratamento ou prevenção de uma doença ou de servir como indicação a uma conduta tida como não medicamentosa, mas útil ao apoio terapêutico/preventivo (caso de um protetor solar, algum tipo de atadura, uma escova dentária, um bochecho ou creme dental) como recomendações providas do peso de uma prescrição.

Cada vez mais médicos, profissionais da odontologia, setores destacados das indústrias farmacêutica-cosmética e pacientes melhor orientados pelo crescente acesso à informação, estão cientes do real significado de tratarmos as nossas orientações (independente da motivação), com o valor de uma prescrição.

Essa questão foi formulada abertamente a um grupo de 200 colegas da odontologia (participantes voluntários) na última edição do CIOSP, um dos grandes eventos da odontologia do mundo.

Na ocasião, o grupo de profissionais respondeu de maneira assertiva (escolhendo entre as opções a ou b, seguido da justificativa sobre os motivos) a seguinte questão: "independente de se tratar de uma medicação ou princípio ativo não estipulado como tal (apesar de servir ao apoio do tratamento do paciente), o doutor opta por (a) orientar ou (b) por descrever tal qual uma prescrição, as condutas e os princípios ativos relacionados à demanda dos seus pacientes?"

Uma parte significativa dos participantes 42% (84 dos consultados) - disse que se sentia mais seguro, transcrevendo para seus pacientes, esse perfil de orientação, aonde constam as condutas e eventuais produtos, independente de se tratar de receita ou não.

Tal fato nos leva a constatar que a preocupação de descrever com o peso de prescrever, está ganhando valia e municiando de credibilidade a "opinião médica e odontológica" diferenciada. Tal prática é comum entre aqueles que pretendem que seus pacientes tenham mais chances de seguir à risca os cuidados e as condutas necessárias ao bom resultado dos seus tratamentos.

Essa tendência observada mostra que os profissionais da saúde e os seus pacientes precisam, cada vez mais, de um respaldo qualitativo e de informações técnicas mais atualizadas e antenadas com o que já existe ou surge de inovador no apoio ao tratamento dos pacientes.

A constate reciclagem e a orientação mais precisa - tal qual a de uma prescrição - dá o peso e o respaldo para que o paciente compreenda a utilidade e a periodicidade daquilo que lhe foi passado pelo profissional que o assiste.

Tal atitude pormenorizada (tal qual uma prescrição) poderia auxiliar a evitarmos usos não desejados ou indiscriminados de métodos e substâncias que não atendem a realidade dos nossos pacientes - caso de produtos em veiculação alcoólica para pacientes que sofrem de xerostomia ou outras discrepâncias comuns de se notar nas investigações de anamnese e exame do paciente - caso das retrações gengivais e dos desgastes dentários estimulados, entre outras coisas, por uma abrasividade excessiva e inadequada de algumas linhas de cremes dentais que se somam a escovas de cerdas mais duras - quando impera o indesejado critério de escolha por pacientes mal orientados.

Orientar com o peso de prescrever pode fazer toda essa diferença. Afinal não é isso que observamos no mundo da medicina? Sabemos que médicos e, consequentemente, os seus pacientes - valorizam a cultura de uma relação mediada pela prescrição (ou pelo menos, a descrição em papel timbrado) - seja para medicações (uma prescrição ao pé da letra), formulações, exames e outras condutas de significado terapêutico e motivacional aos pacientes.

Estudos (1,2 e 3) salientam que isso pode influenciar positivamente a implementação de bons hábitos e no melhor rumo para o apoio ao tratamento, a ponto de pacientes pedirem para que os seus médicos não deixem de prescrever aquilo que estão sendo informados em consultas clínicas, afim de não esquecerem sobre o que devem fazer para cooperar com o sucesso da terapia proposta.

A odontologia pode se valer dessa prática, para exaltar seus protocolos e sugestões de auto-cuidados básicos ao sucesso de qualquer tratamento.

Vale a nossa reflexão!


  • Pazin Filho, A. et al. Princípios da Prescrição Médica e Hospitalar para estudantes de medicina Medicina (Ribeirão Preto) 2013;46(2):183-94. 
  • Carbonieri,F. (2014) Como prescrever corretamente? 
  • Manual de prescrição - Conselho Federal de Medicina - Brasil
Posted in
Tagged with ,

PharmaKIN

Qualidade farmacêutica para a higiene bucal.

Related Posts

No Comments